DESVIOS E EXTRAVIOS 2018-12-04T02:20:45+00:00
PT | EN
DESVIOS E EXTRAVIOS

Colectiva de Arte Singular

Título:
Desvios e Extravios
Data:
10 Novembro 2018 > 07 Janeiro 2019 + Uns Dias
Local:
Galeria Cruzes Canhoto, Rua Miguel Bombarda, 452, Porto
Curadoria:
Cruzes Canhoto
Textos:
Tiago Coen
Fotografias:
Pedro Soares / Cruzes Canhoto
Design:
Pedro Soares / Tiago Coen / Cruzes Canhoto


Todos os semestres, a Cruzes Canhoto irá apresentar uma grande exposição colectiva dos seus artistas de arte singular/bruta/outsider. Para além dos que já fazem parte do círculo da galeria, esta é uma oportunidade para divulgar novos artistas.
Nesta primeira edição de “Desvios e Extravios”, três criadores expõem na galeria pela primeira vez: Martinho (Ovar), Joaquim Pires (Viana do Castelo) e Niccolò Rossi (Milão). Os restantes artistas do alinhamento, com quem a Cruzes Canhoto tem vindo a desenvolver um trabalho de continuidade, já tiveram pelo menos uma exposição em seu nome na galeria ou têm aí os seus trabalhos expostos regularmente.

ARTISTAS:
Idalécio, João Alves, Serafim, Martinho, ZMB, João Fróis, Pedro D’Oliveira, Joaquim Pires, Monica Faverio, EME, Damião Vieira, Clara Probanza, Niccolò Rossi

IDALÉCIO

Idalécio é um artista outsider, auto-didacta, nascido em 1952, numa aldeia do interior do distrito de Aveiro.
Na casa rural onde cresceu como órfão de pai, foi criando espontaneamente sem pretensões artísticas nem interesse em revelar o acervo que foi acumulando ao longo da sua vida.
Em Abril de 2016, após vários meses de contactos e conversações, é inaugurada a exposição “D’Idalécio… Todos Temos um Pouco”, no Porto, na galeria Cruzes Canhoto, mostrando-se pela primeira vez ao público as suas esculturas e os seus quadros, com enorme sucesso. Ainda assim, apesar de ter vendido umas largas centenas de peças de arte, Idalécio preferiu manter-se no anonimato e continuar na fábrica onde sempre trabalhou, criando apenas nos seus tempos livres. Só em Setembro de 2017, aquando da sua segunda exposição na Cruzes Canhoto, “Metalúrgico Sexagenário”, ele aceitou revelar-se ao público e à imprensa.
Artista pop e populista, surreal e tropicalista, Idalécio inspira-se fortemente na arte popular portuguesa, de que é apreciável conhecedor, e em algumas das expressões da arte tribal africana, a que não será alheio o facto de ter cumprido o serviço militar no interior de Moçambique no início dos anos 70.
Se no início da sua actividade criativa são evidentes algumas incoerências estilísticas, na produção mais recente é perceptível uma maior coesão de estilos, formas e temas, resultado de um processo evolutivo bem sucedido na direcção de uma linguagem própria absolutamente singular.

JOÃO ALVES

João Alves (n. 1983, Porto), um artista absolutamente singular que desvaloriza a sua formação académica em pintura, preferindo dar largas à sua multidisciplinaridade criativa no underground do meio artístico, sob múltiplos pseudónimos do qual o mais conhecido será o de Selva – anagrama de Alves.
Ao longo de 2018 expôs nos mais diversos espaços, dos quais se destacam as galerias Zé dos Bois, em Lisboa, e a Cruzes Canhoto, no Porto, onde apresentou a exposição “Roda da Fortuna”, com enorme sucesso.

Outras peças de João Alves podem ser vistas na página desta exposição:
Roda da Fortuna

SERAFIM

Serafim é um caso extremo de singularidade. Nada na sua relação com o mundo, incluindo a sua forma de expressão artística, obedece aos trâmites expectáveis e às convenções pré-determinadas. Desde miúdo que apenas o diferente não lhe é indiferente.
Diagnosticado com síndrome de Asperger, encontrou nas artes um meio onde se salientavam as suas competências, enquanto nos restantes espaços eram as insuficiências as destacadas.
As qualidades extraordinárias que possui levam-no a criar invulgares e surpreendentes associações de formas e de cores, nem sempre compreensíveis para quem tem uma mente de gosto formatado mas extremamente excitantes para todos aqueles que têm os sentidos despertos e a mente aberta.
Nascido, em Fânzeres, Porto, em 1983, é um artista de expressão não-racional, movido pelo inconsciente nas suas criações.

MARTINHO

De origem ribatejana, Martinho (n. 1970, João Pedro Coutinho) passou toda a sua vida em Ovar, onde exerce a profissão de professor ligado à educação visual e tecnológica.
Desassossegado por natureza, cedo encontrou na expressão plástica o conforto para as suas inquietudes mentais. Faz arte como terapia, criando de uma forma compulsiva e visceral. Tanto as suas pinturas como os seus objectos escultóricos são marcados por uma dissonância aparentemente caótica mas que fazem todo o sentido no universo psíquico do artista.
Mostra os seus trabalhos fora de Ovar pela primeira vez, nesta exposição na Cruzes Canhoto.

ZMB

ZMB (abreviatura de zombie) é um pseudónimo de Rui Lourenço, um artista autodidacta nascido no Porto em 1973. Cedo sentiu o apelo das artes plásticas, mas acabou por ingressar no curso de Engenharia Electrónica. Especialmente dotado, mal acabou o curso, estagiou numa empresa da República da Irlanda, onde permaneceu quase dois anos até que um acontecimento traumático da sua vida pessoal o levou a voltar a Portugal.
A expressão artística surge a tempo inteiro no início da década de 2000, como terapia para a desorganização mental por que passa nessa fase da sua vida, devido a problemas de saúde graves e à ausência de oportunidades válidas de trabalho.
Com cultos e gostos profundamente desajustados da corrente de gosto dominante, acaba por se fechar sobre si próprio, passando a frequentar alguns ateliers de arterapia e a expor em locais alternativos da cidade do Porto, como o Espaço T, a Casa da Horta e A Cadeira de Van Gogh. Paralelamente à actividade de pintura, dedica-se à escrita de livros e à composição musical, tudo envolvido num processo não-consciente de expressão surrealista.
Em 2016 passa a integrar o círculo de artistas próximo da Cruzes Canhoto.

JOÃO FRÓIS

Nascido em 1949, em Lourenço Marques (actual Maputo), João Fróis provém de uma família Alentejana radicada em Moçambique há três gerações.
Na ex-colónia portuguesa, onde permaneceu até 2001, fez de tudo um pouco, dando sentido à sua personalidade desalinhada, diletante e aventureira. Entre outras actividades, foi militar, jornalista, treinador de basquetebol, modelo vivo e assistente de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique. Nos tempos livres, desenhava e pintava, aproveitando o convívio que mantinha de perto com o meio boémio e artístico local, onde se incluíam Malangatana e Chichorro.
Vive actualmente numa aldeia de Ponte de Lima, completamente arredado do sistema, numa espécie de isolamento que lhe permite levar os dias como gosta, livre e desprendido de questões materiais.
Artista autodidacta, dá azo à suas criações como resultado de um processo inconsciente singular de autoterapia, e não de uma actividade regular de expressão artística com o propósito consciente de mostrar e vender o trabalho final.

Outras peças de João Fróis podem ser vistas na página desta exposição:
Psico-afroliberdélia

PEDRO D’OLIVEIRA

Pedro d’Oliveira (n.1971) é um artista plástico singular, da região da Anadia. Apesar de ter formação superior e de estar representado em múltiplas colecções particulares e institucionais, quer em Portugal quer no estrangeiro, sempre se manteve arredado do meio oficial das artes.
Maioritariamente figurativos, os seus trabalhos remetem de uma maneira quase obsessiva para um imaginário infantil vincado pelo dualismo do bem e do mal, tudo expresso de modo genuinamente ingénuo, através de múltiplas formas plásticas.

Outras peças de Pedro D’oliveira podem ser vistas nestas páginas:
Página do artista
Exposição “Para Te Comer Melhor”

JOAQUIM PIRES

Nascido em 1952, dedicou quatro décadas da sua vida à pesca do bacalhau, antes de ocupar o tempo com as suas invulgares criações artísticas.
Autodidacta, de estilo marcadamente naïf, recupera material do lixo que transforma em seres ou objectos de aspecto bizarro e divertido. Em grande parte das situações, são as formas originais dos materiais que recolhe um pouco por todo o lado que lhe sugerem a ideia para cada uma das esculturas que cria.
Na casa atelier, em Viana do Castelo, onde vive e trabalha, já não sobra espaço para acomodar todas as peças criadas, pelo que as vai usando como adorno de toda a área envolvente, incluindo o jardim e o telhado da casa.

MONICA FAVERIO

Monica Faverio (n. 1963, Como, Itália) apresenta-se como criativa de matérias maleáveis. Especialista diplomada na criação e recuperação de vitrais, estudou com alguns dos mais conhecidos mestres internacionais dessa área. Entre muitas obras e empreitadas, dirigiu as equipas de restauro dos vitrais do Mosteiro da Batalha, do Mosteiro de Alcobaça e do Palácio de Belém (Lisboa).
Em Julho de 2018, apresentou na Cruzes Canhoto a exposição “Interstellare”, da qual se podem apreciar aqui algumas peças. Objectos como naves como jóias como arte. Alquimias cósmicas do espaço urbano, marítimo e rural, em fluxos de energias flexíveis.

As naves são esculturas acabadas em bronze e vidro do tipo Murano, envolvidas numa caixa de madeira com um tampo de vidro (20x20x5cm). Tudo feito à mão.
Funcionam como peças de arte, que se podem suspender na parede, ou como jóias passíveis de uso.

Outras peças de Monica Faverio podem ser vistas na página desta exposição:
Interestelare

EME

Eme (Manuela Moreira, n. 1957, Porto) expõe na Cruzes Canhoto desde 2016, altura em que começou a criar manualmente pequenas esculturas em pasta de papel. Nessas modelações figurativas espalmadas, adiciona ferragens e objectos do quotidiano para lhes criar expressão, sob fundos de cores cheias vibrantes, ou pinta-as criativamente com padrões diversos, em muitos casos de inspiração tribal. São figuras , que podem representar simples personagens populares ou seres menos comuns como robôs, esqueletos, faquires, tribais, punks ou extra-terrestres. No verso da maioria dessas peças podem encontrar-se histórias semi-ficcionadas de carácter humorístico ou de crítica social, resultado das deambulações reflexivas diárias da artista pela cidade.

DAMIÃO VIEIRA

Damião Vieira é aquele tipo de pessoa que se pode considerar como um operário das artes – ou seja, o verdadeiro artista. Embora auto-didacta, sempre teve o privilégio de privar de perto com os mestres pintores, dada a sua actividade de técnico de artes gráficas ligadas ao meio artístico. Deles aproveitou os melhores dos ensinamentos, sem ter que se sujeitar aos dogmatismos da academia.
A veia artística ter-se-á feito sentir desde o dia em que nasceu, em 1964, em Gondomar, no distrito do Porto. Chegou a frequentar a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, mas circunstâncias da vida nunca lhe permitiram ingressar num curso superior.
Desde essa altura até hoje nunca deixou de se exprimir plasticamente, tendo exposto nos mais diversos locais e situações, seguindo vários estilos e formas de expressão. Só nos anos mais recentes, porém, passou a dar voz às suas intuições e à sua criatividade natural.

CLARA PROBANZA

Nascida em 1959, no País Basco, Clara Probanza começou a dar forma à matéria dos seus sonhos, depois do surgimento de uma doença grave que transformou a sua vida e a obrigou a passar a maior parte do tempo deitada num sofá.
Com o propósito de amenizar a dor que sentia, em 2008, na companhia da sua irmã ilustradora, começou a forjar aquilo que ambas apelidaram de «arte de sofá» e a construir um pequeno mundo de seres extraordinários. O fantástico e colorido universo que povoava a sua mente ganhou, então, forma em papel, através de desenhos onde se expressam todas as infinitas possibilidades que o mundo nos oferece. Neles podem encontrar-se personagens de um só braço, cabeças com mil olhos ou homens com patas de pássaro – seres abismais mas divertidos que nos dão lições de vida, a partir de um sofá no País Basco.

NICCOLÒ ROSSI

Niccolò Rossi é um jovem designer e artista italiano. Último de quatro irmãos, nasceu em Monza, em 1991. Estudou artes, primeiro em Milão, depois em Bilbao e finalmente no Porto, cidade onde reside actualmente.
Dedica-se à escultura em cerâmica com uma abordagem pouco comum, rejeitando o decorativo e o figurativo. As peças que cria seguem uma linha minimal experimental, com uma forte marca subversivamente política.

Todas as obras expostas no espaço da Cruzes Canhoto estão agora disponíveis para aquisição online.
Para o fazer, entre em contacto directo com a galeria.