DESVIOS E EXTRAVIOS II 2019-10-12T15:05:37+00:00
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DESVIOS E EXTRAVIOS II

Colectiva de Arte Singular

Título:
Desvios e Extravios II
Data:
27 Julho > 15 Setembro 2019 + Uns Dias
Local:
Galeria Cruzes Canhoto, Rua Miguel Bombarda, 452, Porto
Curadoria:
Cruzes Canhoto
Textos:
Tiago Coen
Fotografias:
Pedro Soares / Cruzes Canhoto
Design:
Pedro Soares / Tiago Coen / Cruzes Canhoto


A Cruzes Canhoto apresenta em 2019 a segunda edição de “Desvios e Extravios”, uma grande exposição colectiva de arte singular/bruta/outsider.
Aqui se mostra a obra de 11 artistas com capacidades intuitivas extraordinárias, que se exprimem a partir dos seus universos mentais singulares, sem pretensões comerciais ou ambições de celebridade.

ARTISTAS:
Idalécio, João Alves, Sátrapa, Serafim, Martinho, ZMB, João Fróis, Clara Probanza, Joaquim Pires, Daniel Gonçalves, Gonzalo Diaz Riquelme

IDALÉCIO

Idalécio é um artista outsider, auto-didacta, nascido em 1952, numa aldeia do interior do distrito de Aveiro.
Na casa rural onde cresceu como órfão de pai, foi criando espontaneamente sem pretensões artísticas nem interesse em revelar o acervo que foi acumulando ao longo da sua vida.
Em Abril de 2016, após vários meses de contactos e conversações, é inaugurada a exposição “D’Idalécio… Todos Temos um Pouco”, no Porto, na galeria Cruzes Canhoto, mostrando-se pela primeira vez ao público as suas esculturas e os seus quadros, com enorme sucesso. Ainda assim, apesar de ter vendido umas largas centenas de peças de arte, Idalécio preferiu manter-se no anonimato e continuar na fábrica onde sempre trabalhou, criando apenas nos seus tempos livres. Só em Setembro de 2017, aquando da sua segunda exposição na Cruzes Canhoto, “Metalúrgico Sexagenário”, ele aceitou revelar-se ao público e à imprensa.
Artista pop e populista, surreal e tropicalista, Idalécio inspira-se fortemente na arte popular portuguesa, de que é apreciável conhecedor, e em algumas das expressões da arte tribal africana, a que não será alheio o facto de ter cumprido o serviço militar no interior de Moçambique no início dos anos 70.
Se no início da sua actividade criativa são evidentes algumas incoerências estilísticas, na produção mais recente é perceptível uma maior coesão de estilos, formas e temas, resultado de um processo evolutivo bem sucedido na direcção de uma linguagem própria absolutamente singular.

SÁTRAPA

Sátrapa surge no final de 2013, como um alter-ego que resulta de uma conjugação de factores envolvendo um inverno particularmente rigoroso e uma crise existencial pessoal ligada a uma crise social global. Nessa altura, ocorre um fenómeno raro, tanto físico quanto metafísico, semelhante a uma colisão de átomos, com a libertação de uma quantidade significativa de energia que gera uma febre de expressão artística, materializada inicialmente através da pintura, num processo que o próprio apelida de arteterapia.
No meio desse seu fervor criativo, Sátrapa decide em 2014 fundar a Factoría de Androides, um espaço onde os robôs começam a surgir espontaneamente, autocriando-se, sem o apoio concreto de um artista.
O que começa por ser um exercício de alienação, ficção e fantasia, rapidamente evolui para algo maior, sem controlo, quando os andróides criados por Sátrapa acabam por se apropriar das suas vidas ficcionais e se tornam responsáveis ​​pelas suas próprias acções.

Outras peças de Sátrapa podem ser vistas nestas páginas:
Página do artista
Factoría de Androides
Factoría de Androides II: Marte Contra-Ataca

JOÃO ALVES

João Alves (n. 1983, Porto), um artista absolutamente singular que desvaloriza a sua formação académica em pintura, preferindo dar largas à sua multidisciplinaridade criativa no underground do meio artístico, sob múltiplos pseudónimos do qual o mais conhecido será o de Selva – anagrama de Alves.
Ao longo de 2018 expôs nos mais diversos espaços, dos quais se destacam as galerias Zé dos Bois, em Lisboa, e a Cruzes Canhoto, no Porto, onde apresentou a exposição “Roda da Fortuna”, com enorme sucesso.

Outras peças de João Alves podem ser vistas nestas páginas:
Página do artista
Exposição “Roda da Fortuna”

SERAFIM

Serafim é um caso extremo de singularidade. Nada na sua relação com o mundo, incluindo a sua forma de expressão artística, obedece aos trâmites expectáveis e às convenções pré-determinadas. Desde miúdo que apenas o diferente não lhe é indiferente.
Diagnosticado com síndrome de Asperger, encontrou nas artes um meio onde se salientavam as suas competências, enquanto nos restantes espaços eram as insuficiências as destacadas.
As qualidades extraordinárias que possui levam-no a criar invulgares e surpreendentes associações de formas e de cores, nem sempre compreensíveis para quem tem uma mente de gosto formatado mas extremamente excitantes para todos aqueles que têm os sentidos despertos e a mente aberta.
Nascido, em Fânzeres, Porto, em 1983, é um artista de expressão não-racional, movido pelo inconsciente nas suas criações.

Outras peças de Serafim podem ser vistas nesta página:
Página do artista
Exposição “Cessera”

MARTINHO

De origem ribatejana, Martinho (n. 1970, João Pedro Coutinho) passou toda a sua vida em Ovar, onde exerce a profissão de professor ligado à educação visual e tecnológica.
Desassossegado por natureza, cedo encontrou na expressão plástica o conforto para as suas inquietudes mentais. Faz arte como terapia, criando de uma forma compulsiva e visceral. Tanto as suas pinturas como os seus objectos escultóricos são marcados por uma dissonância aparentemente caótica mas que fazem todo o sentido no universo psíquico do artista.
Mostra os seus trabalhos fora de Ovar pela primeira vez, nesta exposição na Cruzes Canhoto.

Outras peças de Martinho podem ser vistas nesta página:
Página do artista

ZMB

ZMB (abreviatura de zombie) é um pseudónimo de Rui Lourenço, um artista autodidacta nascido no Porto em 1973. Cedo sentiu o apelo das artes plásticas, mas acabou por ingressar no curso de Engenharia Electrónica. Especialmente dotado, mal acabou o curso, estagiou numa empresa da República da Irlanda, onde permaneceu quase dois anos até que um acontecimento traumático da sua vida pessoal o levou a voltar a Portugal.
A expressão artística surge a tempo inteiro no início da década de 2000, como terapia para a desorganização mental por que passa nessa fase da sua vida, devido a problemas de saúde graves e à ausência de oportunidades válidas de trabalho.
Com cultos e gostos profundamente desajustados da corrente de gosto dominante, acaba por se fechar sobre si próprio, passando a frequentar alguns ateliers de arterapia e a expor em locais alternativos da cidade do Porto, como o Espaço T, a Casa da Horta e A Cadeira de Van Gogh. Paralelamente à actividade de pintura, dedica-se à escrita de livros e à composição musical, tudo envolvido num processo não-consciente de expressão surrealista.
Em 2016 passa a integrar o círculo de artistas próximo da Cruzes Canhoto.

JOÃO FRÓIS

Nascido em 1949, em Lourenço Marques (actual Maputo), João Fróis provém de uma família Alentejana radicada em Moçambique há três gerações.
Na ex-colónia portuguesa, onde permaneceu até 2001, fez de tudo um pouco, dando sentido à sua personalidade desalinhada, diletante e aventureira. Entre outras actividades, foi militar, jornalista, treinador de basquetebol, modelo vivo e assistente de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique. Nos tempos livres, desenhava e pintava, aproveitando o convívio que mantinha de perto com o meio boémio e artístico local, onde se incluíam Malangatana e Chichorro.
Vive actualmente numa aldeia de Ponte de Lima, completamente arredado do sistema, numa espécie de isolamento que lhe permite levar os dias como gosta, livre e desprendido de questões materiais.
Artista autodidacta, dá azo à suas criações como resultado de um processo inconsciente singular de autoterapia, e não de uma actividade regular de expressão artística com o propósito consciente de mostrar e vender o trabalho final.

Outras peças de João Fróis podem ser vistas nestas páginas:
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Exposição “Psico-afroliberdélia”

CLARA PROBANZA

Nascida em 1959, no País Basco, Clara Probanza começou a dar forma à matéria dos seus sonhos, depois do surgimento de uma doença grave que transformou a sua vida e a obrigou a passar a maior parte do tempo deitada num sofá.
Com o propósito de amenizar a dor que sentia, em 2008, na companhia da sua irmã ilustradora, começou a forjar aquilo que ambas apelidaram de «arte de sofá» e a construir um pequeno mundo de seres extraordinários. O fantástico e colorido universo que povoava a sua mente ganhou, então, forma em papel, através de desenhos onde se expressam todas as infinitas possibilidades que o mundo nos oferece. Neles podem encontrar-se personagens de um só braço, cabeças com mil olhos ou homens com patas de pássaro – seres abismais mas divertidos que nos dão lições de vida, a partir de um sofá no País Basco.

DANIEL GONÇALVES

Daniel Gonçalves é um desenhador e pintor autodidacta, nascido no Porto em 1977, com uma profunda genuína veia artística. Esta sua qualidade, aliada a uma personalidade hiperactiva, levou-o desde muito novo a entender o mundo e a relacionar-se com este através da expressão plástica, tendo participado na última década em múltiplas exposições colectivas realizadas no Grande Porto.
No percurso pleno de experimentações que fez, na procura de uma marca pessoal, independentemente da multiplicidade de estilos, sempre revelou uma atenção particular pelos jogos de formas e de cores.

Outras peças de Daniel Gonçalves podem ser vistas nestas páginas:
Página do artista
Exposição “2:22 Desenhos de Daniel Gonçalves”

JOAQUIM PIRES

Nascido em 1952, dedicou quatro décadas da sua vida à pesca do bacalhau, antes de ocupar o tempo com as suas invulgares criações artísticas.
Autodidacta, de estilo marcadamente naïf, recupera material do lixo que transforma em seres ou objectos de aspecto bizarro e divertido. Em grande parte das situações, são as formas originais dos materiais que recolhe um pouco por todo o lado que lhe sugerem a ideia para cada uma das esculturas que cria.
Na casa atelier, em Viana do Castelo, onde vive e trabalha, já não sobra espaço para acomodar todas as peças criadas, pelo que as vai usando como adorno de toda a área envolvente, incluindo o jardim e o telhado da casa.

Outras peças de Joaquim Pires podem ser vistas nesta página:
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GONZALO DIAZ RIQUELME

Gonzalo Diaz Riquelme nasceu em Valparaiso, Chile, em 1969, onde cedo começou a revelar uma excepcional aptidão para as artes plásticas. Depois de algumas exposições na América do Sul, muda-se para Barcelona, onde agora vive e trabalha.
Mantendo intacta a sua postura de artista autodidacta, faz parte de uma corrente emergente de artistas sul-americanos que apresentam um novo olhar sobre a arte.
No caso de Gonzalo Riquelme, a abordagem é normalmente feita a partir da recolha de objectos reconhecíveis do quotidiano da rua dos grandes centros urbanos, recompondo-os posteriormente em novos objectos, mais ou menos pop reciclistas, que nos transportam para mundos paralelos surreais, evocativos e encantatórios.
No projecto dos contadores de electricidade, aqui apresentado, o artista transformou cada uma das velhas caixas numa micro instalação de luz contendo fotografias antigas, caixas de música e outros objectos curiosos em desuso, num jogo feito de transparências e ilusões de encanto mágico.
Segundo o artista, a ideia é despertar no observador uma desconexão temporal da realidade, conduzindo-o numa viagem imaginária de sonhos e memórias.

Todas as obras expostas no espaço da Cruzes Canhoto estão agora disponíveis para aquisição online.
Para o fazer, entre em contacto directo com a galeria.