DESVIOS E EXTRAVIOS 4 2021-07-28T00:38:14+00:00
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DESVIOS E EXTRAVIOS 4

Colectiva de Arte Singular

Durante o Verão de 2021, a Cruzes Canhoto apresenta a quarta edição de “Desvios e Extravios”, uma mostra colectiva de arte singular.
Em exibição, estão obras dos artistas Sátrapa, Martinho, Idalécio, Clara Probanza e João Fróis, já habituais da galeria, e um artista novo, Miguel Pipa. Com estilos e técnicas bem diversas, têm em comum o auto-didactismo e uma capacidade extraordinária de nos surpreenderem com visões invulgares da realidade.
SÁTRAPA surge em 2013, como um alter-ego que resulta de uma conjugação de factores que o levam a criar a Factoría de Androides, um espaço onde as suas criações extraordinárias nascem de forma espontânea, num exercício terapêutico de alienação, ficção e fantasia.
JOÃO FRÓIS, provém de Lourenço Marques (actual Maputo), onde nasceu em 1949. Os desenhos psicadélicos e surrealistas, impregnados de motivos africanos, que compõem a sua obra são normalmente criados sobre vulgares folhas de caderno ou pedaços de cartão que encontra na rua, usando uma caneta de aparo ou uma simples esferográfica.
IDALÉCIO é um artista outsider, nascido em 1952, numa aldeia do interior do distrito de Aveiro. Artista pop e populista, surreal e tropicalista, Idalécio inspira-se fortemente na arte popular portuguesa e na arte tribal africana, géneros de que é um invulgar coleccionador.
MARTINHO nasceu em 1970, no Ribatejo, mas é em Ovar que desenvolve a sua arte. Desassossegado e desalinhado por natureza, cedo encontrou na expressão plástica o conforto para as suas inquietudes mentais. Faz arte como catarse, criando de uma forma compulsiva e visceral.
CLARA PROBANZA nasceu em 1959, no País Basco, e começou a dar forma à matéria dos seus sonhos, depois do surgimento de uma doença grave que a obrigou a passar a maior parte do tempo deitada na cama ou num sofá. Desenvolveu, então, um fantástico e colorido universo de seres extraordinários em invulgares desenhos que expressam todas as infinitas possibilidades que o mundo tem para oferecer.
MIGUEL PIPA nasceu em 1980, nas Caxinas, o peculiar bairro de pescadores de Vila do Conde. Sem formação académica por opção, sempre demonstrou uma permanente inquietação em relação ao exterior que o circunda e uma constante curiosidade por aquilo que está por detrás das coisas. A partir de 2010 começa a criar em desenho, usando canetas vulgares sobre materiais diversos, um mundo de micro-organismos mutantes interligados que ele denomina de botânica ficcionada.

Título:
Desvios e Extravios 4
Data:
03 Julho > 21 Setembro 2021 + Uns Dias
Local:
Galeria Cruzes Canhoto, Rua Miguel Bombarda, 452, Porto
Curadoria:
Cruzes Canhoto
Textos:
Tiago Coen
Fotografias:
Nuno Marques / Joana X / Pedro Soares / Cruzes Canhoto
Design:
Pedro Soares / Cruzes Canhoto

Todas as obras expostas no espaço da Cruzes Canhoto estão agora disponíveis para aquisição online.
Para o fazer, entre em contacto directo com a galeria.

SÁTRAPA

Sátrapa surge no final de 2013 como um alter-ego de expressão artística em modo agitp(r)op. Começa por ser um exercício terapêutico de alienação, ficção e fantasia, mas rapidamente evolui para algo maior, até um grau de criação invulgar, tanto a nível de pintura como de escultura.
Para quem desconhece o processo criativo deste auto-didacta extraordinário, torna-se difícil acreditar que todas as suas obras sejam resultado de acções apenas movidas pela intuição, não existindo nelas nada de esboçado ou pré-concebido. Na verdade, são criações do momento, por impulso, e só posteriormente trabalhadas e acabadas com um engenho rigoroso, próprio de um mestre.
Em Abril de 2018, a Cruzes Canhoto exibiu uma retrospectiva das obras do artista na exposição “Factoría de Androides”, onde se podiam apreciar não só as célebres esculturas robóticas como também as pinturas que lhes estiveram na base, ainda muito próximas das formas simplistas da street art. O sucesso foi tal, que houve necessidade de organizar uma segunda parte dessa mostra, ainda nesse ano: “Factoría de Androides II: Marte Contra-Ataca”. Em Setembro de 2019, ainda na Cruzes Canhoto, é apresentada a exposição “Mutantes”, exclusivamente com obras de pintura.
Na sua evolução, a par do apuramento estético, percebe-se uma preocupação maior com a denúncia das alterações brutais que a sociedade tem vido a sofrer no últimos anos, sobretudo nos seus trabalhos mais recentes de pintura, onde as formas retrato, com rostos e corpos pouco convencionais, adquirem uma profundidade de carácter e uma densidade psicológica verdadeiramente impressionantes.

JOÃO FRÓIS

Nascido em 1949, em Lourenço Marques (actual Maputo), João Fróis provém de uma família Alentejana radicada em Moçambique há três gerações. Na ex-colónia portuguesa, onde permaneceu até 2001, fez de tudo um pouco, dando sentido à sua personalidade desalinhada, diletante e aventureira. Entre outras actividades, foi militar, jornalista, treinador de basquetebol, modelo vivo e assistente de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique. Nos tempos livres, desenhava e pintava, aproveitando o convívio que mantinha de perto com o meio boémio e artístico local, onde se incluíam Malangatana e Chichorro.
Vive actualmente em Ponte de Lima, completamente arredado do sistema, numa espécie de isolamento que lhe permite levar os dias como gosta, livre e desprendido de questões materiais. Autodidacta, faz arte como terapia mental, sobretudo quando a vida lhe corre menos bem, nunca tendo manifestado grande interesse em projectar-se como artista.
Em Abril de 2017, a Cruzes Canhoto exibiu uma retrospectiva do artista, intitulada “Psico-afroliberdelia”, composta por 60 desenhos que resultaram de um processo inconsciente de auto-terapia ao longo de uma década (2003-2014).

IDALÉCIO

Idalécio é um artista outsider, auto-didacta, nascido em 1952, numa aldeia do interior do distrito de Aveiro.
Na casa rural onde cresceu como órfão de pai, foi criando espontaneamente sem pretensões artísticas nem interesse em revelar o acervo que foi acumulando ao longo da sua vida.
Em Abril de 2016, após vários meses de contactos e conversações, é inaugurada a exposição “D’Idalécio… Todos Temos um Pouco”, no Porto, na galeria Cruzes Canhoto, mostrando-se pela primeira vez ao público as suas esculturas e os seus quadros, com enorme sucesso. Ainda assim, apesar de ter vendido umas largas centenas de peças de arte, Idalécio preferiu manter-se no anonimato e continuar na fábrica onde sempre trabalhou, criando apenas nos seus tempos livres. Só em Setembro de 2017, aquando da sua segunda exposição na Cruzes Canhoto, “Metalúrgico Sexagenário”, ele aceitou revelar-se ao público e à imprensa.
Artista pop e populista, surreal e tropicalista, Idalécio inspira-se fortemente na arte popular portuguesa, de que é apreciável conhecedor, e em algumas das expressões da arte tribal africana, a que não será alheio o facto de ter cumprido o serviço militar no interior de Moçambique no início dos anos 70.
Se no início da sua actividade criativa são evidentes algumas incoerências estilísticas, na produção mais recente é perceptível uma maior coesão de estilos, formas e temas, resultado de um processo evolutivo bem sucedido na direcção de uma linguagem própria absolutamente singular, como se pôde perceber na sua mais recente exposição, “Santos, Diabos e Outras Bestas” (Cruzes Canhoto, 2020), onde Idalécio, já sem ter nada a provar, se escusou a evidenciar quaisquer tipo de exibicionismos, reduzindo as formas e as cores ao essencial, muitas vezes monocromáticas.

MARTINHO

De origem ribatejana, mas a viver em Ovar desde há muito, Martinho (n. 1970, João Pedro Coutinho) escolheu formar-se em design.
Desassossegado e desalinhado por natureza, cedo encontrou na expressão plástica o conforto para as suas inquietudes mentais. Não cria, porém, para o meio artístico, nem em busca de fama. Tampouco se leva demasiado a sério nessa sua ocupação. Faz arte como catarse, criando de uma forma compulsiva e visceral. Isso é perceptível em toda a sua obra, embora de forma não óbvia, tanto nas pinturas como nos objectos escultóricos.
As suas collages e assemblages, aparentemente caóticas e abstractas, apresentam, na verdade, narrativas que relatam situações do seu quotidiano atormentado. Acontece que esse quotidiano não é património exclusivo do Martinho – é comum a muitos de nós, e é isso que torna a obra dele tão estranhamente atraente, impressiva e empática.
Depois de um primeira exposição a solo, em 2018, no Centro de Arte de Ovar, apresenta em Março de 2020 “Sem Juízos”, na galeria Cruzes Canhoto, no Porto.

CLARA PROBANZA

Nascida em 1959, no País Basco, Clara Probanza Arrizabalaga começou a dar forma à matéria dos seus sonhos, depois do surgimento de uma doença grave que transformou a sua vida e a obrigou a passar a maior parte do tempo deitada na cama ou num sofá.
Com o propósito de amenizar as dores que sentia, em 2008, acompanhada pela sua irmã ilustradora, deu início à construção de um pequeno mundo de seres extraordinários tridimensionais feitos em tecido de algodão, forjando aquilo que ambas apelidaram de “arte de sofá”. Posteriormente, o fantástico e colorido universo que povoava a sua mente passou ao papel, através de desenhos onde expressava as infinitas possibilidades que o mundo tem para oferecer.
Descoberta pela Cruzes Canhoto em 2017, passa a integrar todas as colectivas realizadas pela galeria a partir daí. A 1 de Dezembro de 2020 apresenta a sua primeira exposição a solo na Cruzes Canhoto, intitulada “Azal Berritzea” (renovação da pele, em basco).
As personagens de cabeças múltiplas mas de um só braço, os animais com mil olhos e as mulheres com patas de pássaro, desenhados inicialmente com alguma naïvité, permanecem nestes novos desenhos, só que agora surgem com mais detalhes e com um traço mais preciso, integrados numa teia complexa de novos padrões e diversas figurações. São seres abismais mas encantadores que nos dão lições de vida para os tempos que correm, a partir de um sofá no País Basco.

MIGUEL PIPA

Miguel Pipa nasceu em 1980, nas Caxinas, o peculiar bairro de pescadores de Vila do Conde.
Sem formação académica por opção, sempre demonstrou uma permanente inquietação em relação ao exterior que o circunda e uma constante curiosidade por aquilo que está por detrás das coisas. A partir de 2010 começa a criar em desenho, usando canetas vulgares sobre materiais diversos, um mundo de micro-organismos mutantes interligados que ele denomina de botânica ficcionada.