FIGURA FETICHE NKISI N’KONDI

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#05
NOME: Figura Fetiche Nkisi N’Kondi (antropozoomórfica)
DATA: Meados do séc. XX
ORIGEM: Povo Kongo, República Democrática do Congo
MATERIAL: Madeira, terracota, pigmentos, pregos, corda, serapilheira, chifres, vidro
DIMENSÕES: 32 x 30 x 62 cm
REFERÊNCIA: CC15-110

As esculturas Nkisi N’Kondi (República Democrática do Congo) são na sua essência um recipiente de forças espirituais que funcionam como um caçador/curador de conflitos. As figuras são encomendadas a um escultor e activadas por um Nganga, um especialista em ritual na sociedade Kongo, treinado e testado como conselheiro ou mediador, hábil no tratamento de aflições do corpo e da mente. Pregos ou lâminas são cravadas na peça para selar um voto ou despertar o seu poder, com o fim de resolver qualquer uma das múltiplas crises que possam surgir na comunidade, incluindo doenças, conflitos sociais e instabilidade política.

Algumas figuras, como é este o caso, têm a forma de animais. Na maioria das vezes estes são cães (kozo), que estão intimamente ligados ao mundo espiritual na mitologia Kongo. Eles vivem em dois mundos separados: a povoação dos vivos e a floresta dos mortos. As figuras Kozo são em muitos casos construídas com duas cabeças – símbolo da sua capacidade de ver ambos os mundos.

O reino do Kongo estava no auge de seu poder em 1482, quando os marinheiros portugueses visitaram pela primeira vez a costa da África Central. Fundado entre 1350 e 1400, o reino foi um modelo de governo centralizado, com um rei divino e uma rede de conselheiros, governadores provinciais e chefes de aldeia que governavam cerca de três milhões de pessoas. Os navegadores portugueses trouxeram com eles missionários católicos, que converteram os reis do Kongo durante o século XVI. Tem sido sugerido que a prática de perfurar a nkisi com pregos, lâminas ou outros elementos foi adoptada a partir de imagens cristãs de santos martirizados introduzidas na região naquele tempo. Figuras esculpidas em madeira como estas são por vezes chamadas de ‘fetiches’ – uma palavra derivada do termo ‘feitiço’, que foi utilizada pelos primeiros exploradores portugueses para descrever os objectos empregados nos cultos religiosos dos negros em África.

As figuras Nkisi, trazidas para a Europa no século XIX, deram um enorme estímulo às novas tendências da arte moderna, e os temas Bantu, anteriormente considerados primitivos ou horrendos, eram agora vistos como esteticamente interessantes. As peças tornaram-se tão influentes nos círculos de arte, que muitas delas foram mesmo adquiridas por museus de arte.

 

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2018-04-11T15:53:34+00:00