GALERIA 2019-05-02T12:05:44+00:00
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Dos diabos de Rosa Ramalho (Barcelos, Portugal) até às Vivian Girls de Henry Darger (Chicago, EUA), há todo um mundo marginal, pleno de magia, mito e fantasia, à espera de ser descoberto.
A Cruzes Canhoto propõe-se embarcar na aventura de desvendar esse universo fantástico, de cores e formas fora do comum, com origem nas entranhas mais profundas e remotas da natureza humana, de uma forma apaixonada e sensitiva, indiferente às convenções dos mercados da arte.
As peças exibidas na galeria são criadas por pessoas com universos mentais absolutamente singulares, na sua maioria auto-didactas que se exprimem de forma intuitiva, sem pretensões comerciais ou ambições de celebridade, não se considerando sequer eles mesmos artistas.
Única no seu género na Península Ibérica, reúne no mesmo espaço obras de arte bruta, primitiva e popular.

ARTE BRUTA

Art Brut, um termo cunhado em 1945 pelo artista plástico francês Jean Dubuffet, define a arte dos inadaptados, dos loucos, dos visionários, dos médiuns, dos alienados em geral. Confunde-se com outras expressões marginais, como a arte outsider, a singular art ou a folk art, sendo em muitos casos difícil definir as fronteiras de cada um dos géneros.

Afirma-se pela rejeição da arte dominante, da qual se demarca essencialmente na questão dos pressupostos comerciais do acto criativo. As obras criadas pelos artistas deste universo surgem espontaneamente, como um grito interior que urge em fazer-se ouvir, brotando das suas vísceras, muitas vezes como meio de terapia para os seus desequilíbrios mentais, sem quaisquer condicionamentos académicos ou formatações prévias.

Outrora ignorada, é hoje considerada por muitos como a mais genuína e vital das artes, não havendo colecção de nenhum museu de arte moderna de uma grande capital que se possa considerar totalmente completa se não contemplar pelo menos um par de obras deste género. Assim acontece no MoMa, em Nova Iorque, na Tate Modern, em Londres, e no Centre Pompidou, em Paris.

Conceito de Arte Bruta
A designação arte bruta é atribuída a Jean Dubuffet, que a terá usado pela primeira vez em 1945. Contudo, o conceito não é consensual, e tem vindo a ser alvo de alguma discussão e controvérsia. Neste artigo, a revista Raw Magazine, uma das publicações de referência nesta área, ajuda a clarificar os conceitos de arte bruta e arte outsider.

Collection de l’Art Brut Lausanne
Muitas vezes referido como Musée de L’Art Brut, é um museu dedicado à art brut, situado em Lausanne, na Suíça. A colecção foi iniciada por Jean Dubuffet a partir de 1945, ano em que ele começou a adquirir as obras.

Um ensaio de Baptiste Brun sobre a Art Brut
«Réunir une documentation pour l’Art Brut: les prospections de Jean Dubuffet dans l’immédiat après-guerre au regard du modèle ethnographique»
Cahiers de l’École du Louvre, recherches en histoire de l’art, histoire des civilisations, archéologie, anthropologie et muséologie [online] nº4, avril 2014, p. 56 à 66.

LaM
Lille Métropole, musée d’art moderne, d’art contemporain et d’art brut

Intuit: The Center for Intuitive and Outsider Art
Established in June 1991, Intuit is the only nonprofit organization in the United States that is solely dedicated to presenting outsider art, defined as the work of artists who demonstrate little influence from the mainstream art world and who instead are motivated by their unique personal visions.

Galeria Christian Berst
The Galerie Christian Berst first opened its doors in 2005. Since then, as Paris’s only specialist Art Brut gallery, it has worked tirelessly to promote creators of exceptional talent, exhibiting the “classic” names of Art Brut already featured in museums and collections and discovering the stars of the future.

Associação Portuguesa de Arte Outsider
A Associação entende como Arte Outsider a arte pouco ou não influenciada pela arte institucionalmente aceite, produzida geralmente por autores sem formação ou autodidactas, desligados, pelo seu isolamento ou atitude, dos circuitos culturais, em muitos casos artistas com perturbação mental ou afastados e não reconhecidos pela sociedade.

Oliva Creative Factory: Colecção Treger/Saint Silvestre
Acervo de arte bruta, situado no Núcleo de Arte da Oliva, em S. João da Madeira.

ARTE PRIMITIVA

É também conhecida como “art primier”, “arte tribal”, “arte natural”, “arte primordial”, “arte das origens”, “arte tradicional” ou “arte selvagem”.
Na sua forma mais básica e menos contaminada, é a expressão artística que mais se aproxima da essência humana, impenetrável ao discurso racional e acessível somente pela via sensível.

Caracteriza-se pelo anonimato em termos de autoria, sacrificando o artista a atenção individual em prol da comunidade a que pertence, num processo de descoberta da sua identidade através da arte que produz. Nela, destacam-se elementos da tradição popular de uma sociedade, organizada normalmente num modelo tribal, estando, por isso, quase sempre ligada aos domínios do ritual, da religião e da magia. De uma forma geral, esses artistas são autodidactas e desenvolvem eles mesmos as ferramentas e as técnicas que utilizam no seu trabalho.

São consideradas artes primitivas as artes pré-colombianas (Maia, Olmeca), a arte africana tradicional, a arte inuit (povos esquimós), a arte ameríndia (povos autóctones da América do Norte), a arte asiática tradicional e a arte da Oceânia (Melanésia, Micronésia, Papuásia), em especial a dos aborígenes australianos.

No início do séc. XX, com o advento do movimento modernista, as criações primitivas passaram a fazer parte do número de objectos artísticos coleccionáveis, sujeitos a sistematização, a contemplação e a exibição, gerando mesmo um mercado de arte e funcionando como fonte de renovação para os vanguardistas da época.

Musée du Quai Branly
O Museu do Quai Branly, situado em Paris, alberga uma das mais importantes coleções do mundo dedicadas às artes primitivas ou, utilizando a definição utilizada pelo museu, artes primeiras. Possui cerca de 300.000 objetos das culturas tribais ou tradicionais provenientes da África, Ásia, Oceânia e América.

Museu Barbier-Mueller
O Museu Barbier-Mueller apresenta a colecção realizada ao longo dos anos por Jean Paul Barbier-Mueller e sua mulher, que reuniram ao longo dos anos um acervo considerável de objetos de arte não ocidental. Este museu tornou-se uma instituição de referência na área das artes tribais, não só devido à qualidade dos objetos expostos mas também pelas investigações rigorosas que realiza para a produção de catálogos de exposição.

Das Artes Primitivas Às Artes Primeiras
Nos meios académicos, a designação arte primitiva tem vindo a ser substituída pelo conceito de artes primeiras. Neste artigo é possível perceber as razões de tal mudança, já que o autor procura demonstrar que o conceito de arte primitiva nem sempre é apropriado para designar este tipo de artes.

Grupos Culturais de África
No contexto das artes primitivas ou primeiras, a arte tribal africana assume um especial destaque, quer pela quantidade quer pela qualidade das obras que têm origem na África subsaariana. Neste site é possível encontrar uma introdução aos diversos grupos culturais ou étnicos de África e à sua produção artística.

ARTE POPULAR

Apesar da inevitável contaminação de culturas, é entendida como representação individualizada de uma colectividade ou de um grupo determinado – social, económico ou cultural. Da mesma forma que na arte dita primitiva, as criações são normalmente produzidas por auto-didactas, sem qualquer formação académica, e são transmitidas de geração em geração.

Opõe-se à arte erudita, pelo seu fácil acesso e baixo custo, mas também pelos temas abordados, que têm quase sempre como referência o imaginário popular, onde o sagrado e o profano estão em permanente confronto.

Da criação artística ao artesanato, a distância é curta e nem sempre perceptível. É a marca de identidade e a passagem do tempo que distinguem o artista popular do artesão. Só é considerado mestre aquele que é assim aceite tanto pelos críticos de arte, quanto pelos seus pares.